FICHAMENTO DO TEXTO: A
FORMA-AÇÃO DO ATOR-PROFESSOR: AS INTIMAÇÕES DO IMAGINÁRIO NA REEDUCAÇÃO DO
SENSÍVEL DE ADRIANO MORAES DE OLIVEIRA pelo Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFPel Doutorado
– Cultura Escrita, Linguagens e Aprendizagem – Or. Profª Lúcia Peres Professor
do Curso de Teatro – Universidade Federal de Pelotas. VI CONGRESSO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTES CÊNICAS 2010.
“[...].O
fato de ter consciência de representar em relação a um grupo determinado de
espectadores faz com que um conjunto de símbolos adquira uma forma distante do
natural. A concentração exigida num ato teatral não está apenas no próprio
ator, mas no próprio encontro. [...].”. (p.1 , l. 4-7).
“[...].
O trabalho de cada um dos alunos sobre si mesmos evidenciou questões que se
relacionam com intimações das mais diversas ordens: o sentido do teatro que
cada um carrega; as formas cristalizadas de atuar que cada um possui; as
solicitações sociais do que vem a ser o teatro; entre outras.”. (p. 2, l.
15-18).
“Amparado
por Stanislavski e Grotowski, e pelas questões do imaginário e da simbólica,
não podia deixar de lado os processos formativos pelos quais meus sujeitos de pesquisa
haviam passado. Assim, compreendi que aquilo que entendo ser um caminho para a
formação de um ator-professor é um processo de conhecimento da nossa própria sensibilidade,
isto é, de como percebemos e expressamos nossa percepção do mundo.”. (p. 2, l.
23).
“[...]
algumas definições básicas: forma é estrutura; ação é movimento; ator é aquele
que dá movimento à forma.”. (p. 2, l. 25-26).
“A
ideia de formação de um ator-professor apoia-se no fato de que o teatro é um campo
pedagógico por excelência. O ator, tecnicamente preparado, ao atuar proporciona
que o espectador se movimente em suas experiências pessoais. Nesse encontro
entre o ator e o espectador, que é sustentado por um ato de doação do ator,
podem ocorrer choques perceptivos, ocasionando, naturalmente, uma aprendizagem
ao espectador. [...].”. (p. 3, l. 1-5).
“[...]
para propor um movimento de reeducação, é fundamental considerar as seguintes
questões: 1. o conceito de teatro que cada indivíduo carrega e como esse
conceito é transformado; 2. As solicitações da sociedade do espetáculo e como
essa lógica é seguida ou confrontada; 3. A apropriação pelos alunos dos
procedimentos metodológicos de ensino de teatro utilizados nas aprendizagens;
4. a força com que age nos sujeitos o encontro com obras dramáticas de outras
épocas, mas com temas de seu interesse.”. (p. 3, l. 14-20).
“O
objetivo era o de compreender como a exploração da teatralidade, imersa em movimentos
constantes de projeção do imaginário, influenciava na formação do ator-professor.
[...]”. (p. 3, l. 28-30).
“Propus
como possibilidade desse processo de reeducação do sensível algumas experiências
físicas. Chamei-as de experimentos poéticos. [...] um treinamento onde cada um
dos sujeitos busca ampliar a percepção sobre si mesmo. [...] experimento de
pesquisa ocorre na forma de encontros dos atores com espectadores (exercícios
públicos teatrais): nesses experimentos cada um dos sujeitos envolvidos procura
se compreender em um estado de representação.”. (p. 4, l. 5-10).
“Os
exercícios públicos teatrais configuraram-se como lugares de interlocução com a
tradição do teatro: são os alunos experimentando línguas estrangeiras como as
de Stanislavski e seu método de ações físicas e a de Grotowski com suas
orientações míticas e místicas para que o teatro possa manter o homem ligado a
sua origem.”. (p. 4, l. 16-19).
“A
investigação é realizada em dois níveis de experimentos poéticos: um focado no
trabalho do ator sobre si mesmo e o outro nas experiências com poéticas
teatrais.[...].”. (p.4, l.20-21).
“As
contribuições do imaginário, atreladas à exploração da teatralidade, são de ordem
arquitetural. A arquitetura dos primeiros experimentos demonstra que a
estrutura se torna “estruturante” na medida em que os sujeitos interagem com a
linguagem do teatro. O processo de colocar-se no lugar do outro, de buscar
diálogos com outras culturas, resulta também em uma possibilidade de
humanização.”. (p. 4, l. 26-30).
“No
processo de desnudamento, pelo qual precisa passar o ator-professor em minha
proposta de reeducação do sensível, certamente essas intimações do imaginário agirão
dialeticamente. É na linguagem que os imaginários podem ser surpreendidos. É também
na linguagem que o sujeito pode ser flagrado. Constituímo-nos na linguagem e
pela linguagem. E linguagem, seja ela de qual ordem for, é oriunda do
imaginário, é estrutura imaginária.”. (p. 5, l. 9-14).
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