Fichamento Uma
incursão pela estética da recepção
Edélcio Mostaço
A recepção não é dimensão individual, mas um fenômeno
coletivo, resultante das manifestações advindas das interpretações singulares
ou grupais, dimensionada através das práticas de leitura e agenciamentos
históricos efetuados sobre textos e autores . (...) (p.1, l. 25 á 27)
A partir de três ângulos privilegiados _ a poiesis, a
aisthesis e a katharsis _ percorrendo o processo dialógico que envolve o
artista e o espectador, fica claro que, mesmo dispensando ênfase à estrutura de
significados e interações comunicativas advindas com a obra, a estética da
recepção é uma operação comprometida com o processo artístico. (...) (p.2, l. 1
á 6)
Ou seja, as questões relativas aos sentidos provocados pela
obra dependem sempre de um contexto e eles são mutáveis, em função das
circunstâncias de leitura. (...) (p. 2, l.26 á 29)
Ou seja, ele reconhece que a obra artística detém qualidades
autônomas intrínsecas e mobiliza fenômenos de percepção, em modo
trans-histórico, que a isolam e projetam em relação ao determinismo materialistas,
em função dos agenciamentos desencadeados quando do fenômeno da fruição, fato
por ele reiterado ao discorrer sobre a constituição do sujeito: “O objeto de
arte, tal como qualquer outro produto, cria um público capaz de compreender a
arte e de apreciar a beleza. Portanto , a produção não cria somente um objeto
para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto”. (...) (p. 3, l. 74 á 86)
Estabelecendo vários graus e modalidades de empatia, ele
distingue, por exemplo, a atilada postura de Brecht, salientando como o
dramaturgo alemão soube manipular “um reconhecimento do efeito e da recepção da
obra literária”, que orientando sua produção para a educação do espectador ao
invés do prazer estético, transformando
a empatia numa atitude reflexiva e crítica. (...)(p.4, l. 41 á 49)
Mesmo propostas estéticas que almejam o distanciamento, o
estranhamento, a ironia (como o dadaísmo, o surrealismo ou Brecht) necessitam
partir, no plano da experiência, de uma identificação inicial. (...) (p.5 ,
l.38 á 42)
As últimas são emoções estéticas, cuja intensidade e
qualidade são determinadas, por uma parte, pelos bem conhecidos fatores
pragmáticos (ou contextuais) da relação teatral, e por (...) (p. 6, l. 86 á 89)
(...) outra parte, pelos aspectos materiais-expressivos-estilísticos
do texto espetacular (...) (p.7 , l. 1 á 3)
De modo que a recepção, na atualidade, diz respeito a um sem
número de agenciamentos no vasto território da cena, apresentado subsídios quer
para a pedagogia quer para a história, quer para a sóciosemiótica quer para a
análise dos discursos, fomentando plataformas que estão alargando os estudos
teatrais. (p.7 , l. 18 á 24) .
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