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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Resumo expandido para ACTA 2014 : O PIBID Teatro modificando a cena no Colégio Serravalle


VII Seminário PIBID-UFBA: Ressignificar a Formação Docente

O PIBID Teatro modificando a cena no Colégio Serravalle

                                                                                          Regina Helena Espirito Santo

Introdução

O Colégio Estadual Raphael Serravalle é uma escola da rede pública do Estado da Bahia, localizada em Salvador, no Itaigara. A escola abriga cerca de 2.800 alunos, divididos em Ensino Fundamental e Médio, com 23 salas de aula, em sua capacidade máxima nos três turnos. Além das salas de aula do ensino regular, oferece espaços pedagógicos específicos, como salas de língua estrangeira e informática, laboratórios de biologia e física, biblioteca, sala de apoio aos alunos com necessidades especiais, quadras poliesportivas e um auditório, com capacidade para cerca de 200 pessoas. Tem uma gestão democrática, apoio do Colegiado Escolar e do Grêmio Estudantil sendo ainda referência no quesito Inclusão de Alunos com Necessidades Especiais, com um grande número de surdos, além de outras necessidades especiais como Síndrome de Dawn, Cegueira e Autismo.

Objetivos

Apesar da estrutura física privilegiada, a partir das observações do interior da escola, é possível entender o visível desencantamento em que se acham os sujeitos envolvidos na comunidade escolar. Remonta a um modelo antiquado de arquitetura, mais próxima de um presídio, com muros altos e grades, construída para vigiar e punir, de acordo com Focault (1977). É evidente que a escola não corresponde às  expectativas dos jovens e vai perdendo cada vez mais sua função social. O objetivo do PIBID Teatro no Serravalle é modificar essa perspectiva.

Referencial Teórico

É possível sentir a gravidade da crise que atinge a Educação e se reflete nas relações interpessoais presentes na instituição escolar, sendo notificados pela imprensa os incidentes desagradáveis que demonstram como a violência permeia essas relações. Embora pareça reflexo natural do cotidiano da época atual, o aumento do individualismo e da aspereza no trato com os outros, não pode deixar de ser percebido por nós, educadores afinados com o pensamento de Courtney (1980), que defende a humanização como finalidade da educação neste novo século.

          Richard Courtney (1980, p. 4) afirma que:

Precisamos proporcionar uma educação que possibilite os homens desenvolverem suas qualidades humanas. É esta a maior necessidade de nosso tempo. A crescente especialização de nossa sociedade científica tende a não se concentrar nas qualidades essencialmente humanas. Tanto em nossa educação quanto em nosso lazer, precisamos cultivar o ‘homem total’ e nos concentrarmos nas habilidades criativas do ser humano.

 

Visando uma nova perspectiva apontada por pedagogos como Freire (1996), Morin (2003) e a proposta de uma educação dialógica, com base na Pedagogia do Teatro que buscamos em nossa prática, têm como um de seus objetivos substituir a autoridade intelectual e moral pela interação e investigação. É nesse contexto educacional que o Colégio Estadual Raphael Serravalle se articula em parceria com o subprojeto de Teatro do PIBID da UFBA, Com os bolsistas Sergio, Liliane, Flora, Arlani e Adriano, sob a  supervisão da prof. Regina. O relato se refere ao período de agosto de 20 a setembro de 2014.

Metodologia

Durante o Matutino, funciona o Ensino Fundamental II, com as séries do 6º ao 9º Ano, distribuídos em salas com cerca de 40 alunos. Nesse mesmo turno são realizadas as Oficinas de Teatro do Ensino Médio Inovador, salas com no máximo 20 alunos desse outro nível, que possuem aulas regulares no Vespertino. No Noturno temos o Ensino Médio, onde as ações do PIBID são mais efetivas nas turmas de 1º Ano. São turmas especiais por agregarem uma diversidade muito grande de alunos: jovens trabalhadores, idosos que abandonaram os estudos há muito tempo e alunos com necessidades especiais como deficientes auditivos, deficientes intelectuais e autistas.

A metodologia utilizada pelos bolsistas tem como foco principal os jogos teatrais, sempre adaptados à realidade de cada turma, considerando seus conhecimentos prévios e interesses, bem como especificidades quanto à idade e presença de alunos com necessidades especiais. Os jogos teatrais vão além das questões pedagógicas e alcançam instâncias mais profundas, atuando sobre questões  subjetivas relacionadas ao medo, ao fracasso, à perda. Diante disso pensamos que o teatro pode de alguma maneira ajudar o adolescente a trilhar o caminho na descoberta de si mesmo e a lidar com as possíveis dificuldades que surjam durante esse processo, de acordo com Viola Spolin (1982).

      A respeito da prática teatral para atores e não atores, como é o caso da nossa experiência em sala de aula com o teatro, Augusto Boal insiste que deve ser empreendida por todos, já que otimizará um conhecimento sobre si próprio, além de ter um papel relevante na construção da cidadania. O autor pergunta:

“Quantos de nós somos capazes de olhar no espelho e de nos ver realmente como somos ou como queremos ser, e não como querem que sejamos? Talvez com o espelho do teatro, esta imagem permita diminuir a distância entre o real e o imaginário” (Boal, 1977, p.14).

Cada bolsista, com apoio da supervisão, constrói seu plano de ação, elegendo seus objetivos a curto e longo prazo, baseando sua prática também nas suas experiências exitosas anteriores e reorientando as etapas de acordo com avaliações contínuas dos resultados (diários de bordo, rodas de conversas e outras produções orais e escritas) que acompanham todo o seu processo de trabalho.

A maioria das aulas segue um modelo que pode ser resumido em: atividades de integração, preparação corporal e vocal com alongamentos, jogos de concentração e atenção, jogos teatrais específicos e improvisação. Os temas são escolhidos coletivamente de acordo com o cotidiano doas alunos e propostos outros que atendem aos projetos interdisciplinares da escola. A cada final de sessão, abre-se a roda de conversa, onde todos são instados a opinarem sobre os resultados e colaborarem com sugestões para o melhor desenvolvimento das atividades e crescimento do grupo. Os participantes são então convidados a registrarem tudo que ocorreu naquela sessão, inclusive suas sensações e mudanças comportamentais em seus diários de bordo, como tarefa a ser entregue na sessão seguinte. A cada semana, a critério do condutor do grupo, poderão ser lidos alguns desses relatórios, antes de se iniciar nova experiência. Muitas das sessões ainda incluem produção de formas animadas, textos dramáticos, cenários e adereços para as cenas improvisadas, que poderão ser selecionadas para apresentações a um público mais amplo, dentro ou fora da escola.

Conclusões

A meu ver, se a escola conseguir seduzir o estudante para o desejo de aprender, seja ela criança, adolescente ou adulto, já estará dando importantes passos na concretização de uma educação enquanto compromisso social. Dessa forma, Assmann (1999, p. 29) faz um significativo comentário sobre as características da escola, que, diante de tanta novidade e informação, precisa possibilitar ao estudante reconhecê-la como um espaço de descobertas, conquistas e aprendizagem, proporcionando prazer e ternura:

O ambiente pedagógico tem de ser lugar de fascinação e inventividade. Não inibir, mas propiciar, aquela dose de alucinação consensual entusiástica requerida para que o processo de aprender aconteça como mixagem de todos os sentidos. Reviravolta dos sentidos-significados e potenciamento de todos os sentidos com os quais sensoriamos corporalmente o mundo. Porque a aprendizagem é, antes de mais nada, um processo corporal. Que ela venha acompanhada de sensação de prazer não é, de modo algum, um aspecto secundário.

Estamos certos que conseguimos essa sedução dos estudantes com as ações do PIBID Teatro no Colégio Raphael Serravalle.

Referências Bibliográficas

ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

BOAL, Augusto.  Teatro do oprimido e outras poéticas. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.

 

COURTNEY, Richard. Jogo, teatro & pensamento. São Paulo: Perspectiva: 1980.

FREIRE, Paulo. A pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

 

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. Tradução de Ingrid Koudela e Eduardo Amos. São Paulo: Perspectiva,1982.

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