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domingo, 23 de novembro de 2014

Artigo sobre relato de uma experiencia no Colégio Odorico Tavares

Artigo (PIBID)


Elementos da cena no processo experimental, repercutindo nas ações do PIBIT TEATRO UFBA

O presente trabalho trata-se de um artigo cientifico, tem como objeto o diálogo entre o teatro educação e a prática didática, o qual propõe uma reflexão sobre aplicação dos elementos da cena em sala de aula. Esse trabalho tem caráter experimental e investigativo, tomando como principais referencias para o teatro educação: Edgar Morin e Viola Spolin e para a pesquisa de técnicas do espetáculo: Mauri Luiz da Silva, Ana Matovani, Gianne Ratto e Jean Jacques Roubine. Na descrição do processo pedagógico e artístico relato e experiência desenvolvida numa escola em Salvador, enquanto bolsista PIBID.

Palavras chaves: Teatro educação, artes técnicas e formação.


Acreditando que quando abordo o tema teatro, não estou me referindo apenas a arte da representação pelo ator, mas, na representação por um conjunto de elementos da cena, no qual, o ator é mais um elemento integrante desse contexto no qual, juntos, todos comungam da mesma importância. O ator veste um personagem, usa certa maquiagem, veste certo figurino, habita num cenário, é envolvido por certa atmosfera proposta pela iluminação e tem uma harmonia proposta pela sonoplastia e tudo é regido por um encenador que adota um texto. E quando estamos na plateia assistimos a esse conjunto.
Portanto, durante as aulas, busco inicialmente situar os alunos em relação às artes técnicas mostrando a importância das partes integrantes do espetáculo. Essa equipe é formada por: profissionais são o cenógrafo, o maquiador, o figurinista, o iluminador, o sonoplasta, o produtor e o diretor e todos eles na maioria das vezes são auxiliados por uma equipe.
Seguindo por essa concepção busco inicialmente levar esse conteúdo para às turmas, buscando metodologias que possam ser aplicadas em pequenos grupos, para situar os alunos tanto em relação ao conhecimento e importância de cada elemento quanto com relação a funções que cada um pode vir a desenvolver nas mostras didáticas elaboradas pelo grupo.
Sabemos que nem todos têm aptidão para as aulas de teatro, podendo justificar tal indisosição por timidez, por não quererem se expor ou mesmo por falta de aptidão. Busco assim uma formula para encaixar todos os alunos dentro do mesmo processo com participação e dedicação nas aulas de teatro.
Propus aos alunos do 1º ano da turma 1M12 do Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado em Salvador, durante a primeira unidade, um estudo sobre esses elementos e a importância de cada um deles, ensinando-os de forma separadas. O objetivo maior dessa pesquisa é propor conhecer o funcionamento interno da construção do espetáculo sem quebrar os mistérios e encantos que a cena propõe.
Comecei o roteiro abordando a importância das cores para os elementos da cena. A combinação de cores, o circulo cromático, cor luz e cor pigmento, temperatura das cores, representação das cores, como pensar a cor dentro de uma estética. Usei alguns vídeos para demonstrar como a direção de arte pensa sobre suas referencias visuais. Como exemplo no filme “Volver” dirigido por Pedro Almodóvar que trabalha bastante com a cor vermelha explorando o universo feminino ou Amelí Polan, no qual o diretor explora bastante a cor verde em cenários e figurinos para ressaltar simbolicamente a juventude e vitalidade da personagem principal.
A escolha de cores é um dos pontos fundamentais nesses diálogos. E tudo deve ser regido pelo diretor ou encenador que esta na função de condutor do projeto.
Quando abordei a cenografia, o primeiro passo foi apresentar a maquete de um teatro com convenção de palco italiano onde estavam contidas, pernas, rotunda, ciclorama, boca de cena, proscênio, palco e até indicações de camarim além de um esclarecimento sobre a coxia. Num segundo momento, os alunos foram conduzidos ao teatro Martin Gonçalves que funciona dentro da Universidade Federal da Bahia para conhecer pessoalmente um teatro, pois 95% dos alunos nunca tinham ido a um teatro antes. A maquete que apresentei em sala de aula anteriormente era um protótipo desse espaço, isso facilitou a identificação dos elementos.
Fig,1 Alunos confeccionando maquete.


A partir dessa visita, comecei a abordar os elementos da cena um a um a cada aula. Como o cenário foi o primeiro. Expliquei que esse é o ambiente ficticio onde o personagem transita e onde ele irá habitar. Explicar a diferença entre o ator e o personagem foi um ponto esclarecido no começo da aula para diferenciarmos o cenário como espaço real e espaço imaginário. Vários exemplos foram citados inclusive de espaços comuns na nossa cidade que vem a ser reproduzidos nas telenovelas e minisséries.
Falamos que a cenografia é a composição de um espaço tridimensional_ lugar teatral. Chamamos de lugar teatral o lugar onde é apresentado o espetáculo teatral e onde se estabelece uma relação cena/público. (MANTIVANI, Ana.
Segunda aula foi à vez do figurino ao qual pode relaciona-lo com a moda. Busquei na história do teatro modelos da Grécia Antiga, onde muitos estilistas se inspiram para os badalados modelos atuais. Expliquei-lhes que uma peça de roupa ou um acessório pode revelar o ambiente especifico acontecerá ou mesmo o contexto da história a qual este está inserido.
Na terceira aula abordamos como conteúdo a maquiagem, essa metodologia foi pensada em varias estilos. Busquei estilos diferentes para trabalhar, como: uma maquiagem clow, outra realista envolvendo a maquiagem social e um absurdo onde podemos expressar através desta o contexto. A maquiagem pode propor efeitos ilusórios fantásticos.
Na quarta e quinta aula abordamos a iluminação, objeto da minha pesquisa na conclusão do curso, dentro de uma aula muito mais teórica que as outras e acoplada a esta, a aula sobre a história do teatro, pois a história da luz esta interligada a história do teatro.
Como tudo surgiu? Tudo surgiu dentro do nosso conhecimento da história do teatro na Grécia Ocidental com o culto a Dionísio (para os Gregos) ou Baco (para os Romanos), deus dos ciclos vitais, da alegria e do vinho a partir dos festivais dionisíacos, época que registra o surgimentos dos primeiros grandes texto que são “as tragédias gregas” e seus autores, marca também o surgimento do primeiro ator, além do primeiro espaço que existe até dias atuais e visitado por milhões de pessoas do mundo inteiro. E relacionado a tudo isso, a fonte de luz natural “o sol” pois, os espetáculos aconteciam durante o dia e eles apenas usavam as tochas de fogo para representar da noite. Depois quando optaram por transferir as encenações para espaços fechados utilizam as velas e os candeeiros até o surgimento da eletricidade e das primeiras lâmpadas incandescentes criadas por Thomas Edson. A iluminação é um show a parte. Propõe a cena muitos recursos. É usada para delimitar um espaço, climatizar a espetáculo, trás a ideia de passagem de tempo e ambiente, cria uma ilusão através de seus efeitos dentre outras funções.
Quando se fala, por exemplo, em um quadro de um pintor famoso, pensamos nas ferramentas por ele utilizadas para a conclusão de sua obra e vislumbramos os pinceis e as tintas e para conseguir a obrar., o bom gosto e a arte do pintor. A obra será tanto melhor quanto maior e melhor for à sensibilidade de quem está criando. Então podemos dizer que em iluminação também existem os artistas. Quando fazemos essa comparação, temos que, numa analogia, pensar que o pincel é a luminária e que as tintas é a luz produzida pela lâmpada(...) ( SILVA, Mauri Luiz da.)

Busquei uma metodologia agradável, além do discurso verbal, também utilizei vídeos, recortes e busquei adentrar no universo dos alunos de forma que tornasse mais compreensivo o aprendizado. Então formei equipes, adotei o texto “A bruxinha que era boa” de autoria de Maria Clara Machado, usei como pretexto para explorar bastante o tema um resumo do filme de Helrry Ponter “A pedra filosofal” os livros “As férias da Bruxa Onilda” e “As memorias da bruxa Onilda” ambas de autoria de R. Capdevila e E. Larreula então propus a construção de cenários e figurinos baseados em tudo que foi visto até aquele momento, para confecção destes elementos e que pudéssemos adotar a sustentabilidade pela preservação do meio ambiente, por questões econômicas e educacionais e pelas muitas possibilidades de recursos e pelo poder criativo de cada individuo. Além do desenvolvimento cognitivo. Também foi solicitada por grupo uma redação sobre o processo criativo.
O que foi solicitado em comum para todas as equipes, foi apenas que levasse uma caixa de papelão pequena, onde seria construído o cenário. Já o material que seria usado para construir essa maquete, era de livre escolha dos grupos. Cada equipe levaria seus materiais de acordo com a estética adotada por eles de acordo com seus desejos. Tudo foi construído em sala de aula com empolgação e euforia. Usamos quatro aulas durante todo o processo prático. Os resultados foram maravilhosos. Confeccionaram vestidos estilosos para as fadas e capas para os bruxos com sacos plásticos, jornais, garrafas petis e as tampas destas, folhas secas, pedaços de tecidos, isopor e etc. As maquetes eram verdadeiras obras de arte. Propus também que realizássemos uma exposição para mostrar a todos os alunos de outras classes o resultado deste processo com o objetivo de propagar a arte, atrair outros olhares e de estimular o real interesse pela arte e trabalhar a tríade (artista, obra e espectador).



Graduanda no curso de licenciatura em teatro pela UFBA, arte educadora, pesquisadora e estagiaria pelo PIBID. Atriz, iluminadora DRT 3424.


Referencias Bibliográficas:

Berthold, Margot. História do teatro. Editorra Pespectiva. São Paulo, 2001
DESGRANGES, Flávio. A pedagogia do teatro: provocação e dialogismo. São Paulo:
Roubine, Jean Jacques. A linguagem da encenação teatral. Zahar Torres Rio de Janeiro, 1966
Silva, Mauri Luiz da. Luz, Lâmpadas e Iluminação. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna 3ª edição, 2004.
Camargo, Roberto Gill. Conceitos de iluminação cênica. Rio de Janeiro: Música e tecnologia, 2012.
Simões, Cibele Forjaz. A iluminação cênica como instrumento de visibilidade, ‘Scriptura do visível’. São Paulo, 2008. (Dissertação de mestrado)
Mantovani, Ana. Cenografia. São Paulo. 1989. Editora Ática
RATTO, Gianni. Antitratado de Cenografia: variações sobre o mesmo tema. São Paulo: SENSC São Paulo, 1999.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento; tradução Eloá Jacobina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.

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