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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

ARTIGO : A EXPERIÊNCIA DO SUBPROJETO PIBID TEATRO DA UFBA


A EXPERIÊNCIA DO SUBPROJETO PIBID TEATRO DA UFBA

                                                                                                               REGINA HELENA ESPIRITO SANTO

                                                                                                                       Mestra em Artes Cênicas- UFBA

                                                                                                     reginaesanto@hotmail.com


O subprojeto PIBID em licenciatura em Teatro da Universidade Federal da Bahia designa uma experiência importantíssima para a vida dos estudantes que se preparam para a atividade de docência e colabora na formação de grandes pensadores.

Todas as licenciaturas, no nosso ponto de vista, são de extrema importância para a formação das pessoas e no caso do Teatro, acredito que a formação da UFBA ajuda a colaborar para sistematização de novas dinâmicas e estratégias educativas envolvendo o teatro e  estabelece uma nova visão de educação e de ensino através da Arte Educação.

Consideramos vital a importância que o PIBID tem para os alunos que estão iniciando o processo de aprendizagem da docência, tornando-se um diferencial de extrema relevância no seu desempenho futuro como professor. O programa ajuda a ter uma noção básica e essencial da prática em sala de aula e de como se dá a essa experiência no cotidiano do ensino de Teatro na escola pública, além de complementar a formação e capacitação profissional do licenciando, ampliando de forma notória seu contato com a realidade do magistério que irá enfrentar tão logo termine sua licenciatura.

A escola é um sistema social complexo, intrinsicamente regido por forças provenientes das relações de seus inúmeros sujeitos, não necessariamente afinados em suas concepções ético-políticas e/ou técnico-operacionais, o que torna esse ambiente de trabalho coletivo marcadamente heterogêneo em suas histórias e itinerários. Tem sido objeto de estudo nos diferentes âmbitos da produção acadêmica, sem refletir na prática, em melhorias visíveis e resultados palpáveis no que diz respeito à qualidade da aprendizagem, pelo menos no Brasil.

Acreditamos que um investimento na prática da docência, na forma como foi idealizado o PIBID, seja uma escolha muito mais adequada no caminho de buscar mudanças para o quadro de desolação em que se encontra a nossa escola pública. Embora muitas instituições educacionais brasileiras apresentem tentativas de acompanhamento e desenvolvimento da aprendizagem de forma diferenciada, envolvidas e respaldadas por teorias avançadas no cenário educacional mundial, isto não se dá na maioria das escolas públicas, principalmente nas regiões menos privilegiadas e mais distantes das grandes metrópoles. A realidade das nossas escolas, acentuadamente nas periferias, está longe de satisfazer as necessidades do público alvo - alunos carentes de quase tudo - bem como sustentar o sonho dos jovens educadores recém-egressos das licenciaturas, inflados de teorias, mas despreparados psicológica e praticamente para enfrentar os inúmeros desafios de estar na sala de aula, tendo a responsabilidade de mediar situações tão inesperadas durante suas ações pedagógicas.

Com pensamentos e ideologias semelhantes ou não, esse jovem profissional precisa seguir cuidadosamente as orientações didáticas da escola em que atua, seja ela um modelo tradicional-conservador ou emancipatório. Essa é a experiência diferencial que o bolsista PIBID levará como vantagem no término de sua licenciatura. O contato com diferentes escolas poderá torná-lo mais apto na observação crítica das suas ações pedagógicas, comparando-as às de outros mestres, testando novas propostas e mergulhando intensamente na experiência de ensinar e aprender com os outros, conforme indicava o grande Paulo Freire já no século passado.

Segundo Bondía (2002), “a experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca” e é nesse sentido que o PIBID representa um papel relevante na formação do licenciando, antecipando sua reflexão sobre condutas a serem escolhidas na prática pedagógica. Como conduzir uma aula interessante e motivadora? Quais estratégias adotar para atingir a diversidade de sujeitos aprendentes que vamos encontrar na sala de aula? De que forma conciliar as ideias renovadoras que surgem na contemporaneidade acadêmica com a realidade de escolas obsoletas, marcadas por políticas excludentes? Como manter-se fiel aos seus princípios éticos e morais, sem deixar-se contaminar pelas ações de alguns educadores autoritários e descrentes de um futuro promissor para os jovens educandos, jovens que ali se encontram à mercê de seus atos, nem sempre respaldados pelas Diretrizes Educacionais do país? São inúmeras as questões que surgem para o licenciando ao adentrar o universo das escolas. Gradativamente ele se aperceberá de que não terá respostas para tudo, que muitas outras questões nem imaginadas brotarão de sua experiência no contato vivo com o ambiente escolar e que não há receituário que garanta seu sucesso com educador. É o primeiro fruto que o bolsista do PIBID vai colher ao longo de sua trajetória. A certeza de que dependerá de si, de seu esforço e de suas escolhas, conduzir de forma satisfatória sua jornada como educador. A nós, supervisores do PIBID e professores efetivos nas escolas, caberá facilitar essa introdução na realidade escolar, compartilhar nosso conhecimento prévio das situações que já tenhamos vivenciado, incentivá-los e encorajá-los nas ações pedagógicas que julguem pertinentes aos objetivos escolhidos e diminuir os atritos que por ventura surjam no decorrer dessa prática dentro das escolas públicas. Como se vê, não é tarefa fácil, mas sem dúvida gratificante.

O motivo deste relato é acreditarmos, em acordo com Bondía (2002) e à luz dos ensinamentos de Paulo Freire e outros teóricos da Educação, que a prática dos bolsistas do PIBID, suas ações diretas na aprendizagem em sala de aula, possam ser consideradas experiências significativas, no mais amplo sentido do termo, envolvendo não só informação e formação de opiniões, mas profundas reflexões sobre as atitudes de cada licenciando diante dos desafios de se tornar um bom educador e fazer a diferença.

RELATO DAS EXPERIÊNCIAS DOS BOLSISTAS NO COL. ESTADUAL RAPHAEL SERRAVALLE

O Colégio Estadual Raphael Serravalle é uma escola da rede pública do Estado da Bahia, localizada em Salvador, no bairro do Itaigara, ficando próximo ao fim de linha da Pituba, o que lhe confere uma acessibilidade privilegiada. A escola abriga cerca de 2.800 alunos, divididos em Ensino Fundamental e Médio, ocupando 23 salas de aula, em sua capacidade máxima, e funcionando nos três turnos. Além das salas de aula do ensino regular, oferece espaços pedagógicos específicos, como salas de língua estrangeira, biblioteca, sala de informática, laboratórios de biologia e física, sala de apoio aos alunos com necessidades especiais e duas quadras poliesportivas, uma coberta e outra descoberta. Possui ainda um auditório, com capacidade para cerca de 200 pessoas. Tem uma gestão democrática, com direção eleita pela comunidade escolar, apoio do Colegiado Escolar e do Grêmio Estudantil.

Já a partir das primeiras observações do interior da escola, é possível entender o visível desencantamento em que se acham todos os sujeitos envolvidos na comunidade escolar, por sua estrutura não ser muito diversa de outras localidades deste País. Remonta a um modelo antiquado de arquitetura, mais próxima de um presídio, com muros altos e grades, construída para vigiar e punir, de acordo com Focault ( 1977). Depoimentos de alunos, professores, gestores e pais, deixam claro, em atitudes e palavras, que a escola não corresponde às suas expectativas e vai perdendo cada vez mais sua função social. É possível sentir a gravidade da crise que atinge a Educação e se reflete nas relações interpessoais presentes na instituição escolar. No caso do Colégio Serravalle, como professora efetiva há mais de vinte anos, por diversas vezes me vi envolvida, ora como integrante, ora como espectadora, em incidentes desagradáveis que demonstram como a violência permeia essas relações. Embora pareça reflexo natural do cotidiano da época atual, o aumento do individualismo e da aspereza no trato com os outros, não pode deixar de ser percebido por nós, educadores afinados com o pensamento de educadores como Dellors (2003) e Courtney (1980), que defendem a humanização como finalidade da educação neste novo século.

           Richard Courtney (1980, p. 4) afirma que:

Precisamos proporcionar uma educação que possibilite os homens desenvolverem suas qualidades humanas. É esta a maior necessidade de nosso tempo. A crescente especialização de nossa sociedade científica tende a não se concentrar nas qualidades essencialmente humanas. Tanto em nossa educação quanto em nosso lazer, precisamos cultivar o ‘homem total’ e nos concentrarmos nas habilidades criativas do ser humano.

 

           Afirmações como esta nos levam a analisar alguns aspectos mais específicos, procurando razões para entender o fato de a escola ter chegado a esse quadro tão desolador.

            A instituição de muros e grades em muitas escolas é uma das evidências de tal vigilância, onde tudo é controlado, entradas e saídas, atitudes e conversas, palavras e sussurros... Muitas vezes, atos espontâneos são trocados por reproduções ou códigos, para os adolescentes não serem descobertos em suas reais atitudes. Michel Foucault (1977 p. 154) avalia que,

Toda uma problemática se desenvolve então: a de uma arquitetura que não é mais feita simplesmente para ser vista (fausto dos palácios), ou para vigiar o espaço exterior (geometria das fortalezas), mas para permitir um controle interior, articulado e detalhado – para tornar visíveis os que nela se encontram; mas geralmente, a de uma arquitetura que seria um operador para a transformação dos indivíduos: agir sobre aquele que abriga, dar domínio sobre seu comportamento, reconduzir até eles os efeitos do poder, oferecê-los a um conhecimento, modificá-los.

 

            Visando uma nova perspectiva apontada por pedagogos como Freire(1996), Morin( 2003) e outros, a proposta de uma educação dialógica, com base na Pedagogia do Teatro que buscamos em nossa prática, tem como um de seus objetivos substituir a autoridade intelectual e moral pela interação e investigação. É nesse contexto educacional que o colégio Estadual Serravalle se articula em parceria com subprojeto de Teatro do PIBID, sob a coordenação do Prof. Dr. Luiz Cláudio Cajaiba Soares, docente da Escola e Teatro e Dança da UFBA e coordenação geral da Prof. Dra. Alessandra Assis.

 

OS PONTOS RELEVANTES DA ATUAÇÃO DO PIBID de TEATRO NO CERS

Os bolsistas do PIBID de Teatro no CERS encontram diversas opções ao iniciar seu contato com a escola. Durante o turno Matutino, funciona o Ensino Fundamental II, com as séries do 6º ao 9º Ano, distribuídos em salas com cerca de 40 alunos. Nesse mesmo turno são realizadas as Oficinas do Ensino Médio Inovador, salas com no máximo 20 alunos desse outro nível, que possuem aulas regulares no Vespertino. No turno Noturno, funcionam o ensino Fundamental II e Médio, com salas menos numerosas e alunos geralmente maiores de 18 anos e trabalhadores. Além dessa diversidade de público, o CERS é referência no quesito Inclusão de Alunos com Necessidades Especiais, atendendo um grande número de surdos, além de algumas pessoas portadoras de outras necessidades especiais como Síndrome de Dawn, Cegueira e Autismo. Qualquer que seja a escolha do turno ou nível de ensino pelo bolsista PIBID, pode ser que se encontre diante de uma turma onde esses alunos com necessidades especiais estejam regularmente inseridos. Se for esse o caso, contará com o apoio irrestrito dos profissionais especializados da escola, recursos materiais adequados, bem como técnicos/ tradutores de LIBRAS para auxiliá-los na mediação pedagógica com esses educandos. Tem sido essa experiência bem diversificada, ocorrida principalmente no Noturno, que modificou e redirecionou o objeto de pesquisa de alguns dos bolsistas, como Ricardo Santana e Liliane Pires, fazendo-os voltar-se para a problemática da inclusão. Em suas próprias palavras:

 

O ensino em turmas do noturno revela uma série de intempéries, de modo que o profissional em educação que atua com ele tem diariamente à sua frente desafios que incluem, entre outras questões, o trabalho com ações que contribuam efetivamente para a elevação da autoestima dos alunos, a superação da evasão, além de parte considerável desses alunos – surdos, autistas, mudos – estarem ali em situação de inclusão. Além disso, existe ainda o fato de que parte relevante de alunos trabalha durante todo o dia, chegando à escola – muitas das vezes – esgotados, desmotivados, sonolentos. Outra agravante dessa situação é a disparidade entre as faixas etárias com as quais o professor maneja numa mesma sala de aula, tendo que desdobrar uma atividade (ainda que eminentemente prática) que compreenda tanto o vigor físico do adolescente quanto as restrições impostas pelo tempo ao corpo mais idoso, cujos movimentos são mais limitados, menos ágeis; um contraste natural entre o corpo cuja fase é a da ânsia e o corpo cuja estação demanda maior repouso. Ressalta-se o principio de que todas as ações acima citadas são vistas não como dificuldades, bloqueios, mas enquanto desafios. E os desafios sempre fizeram e sempre farão parte da educação e, consequentemente, da trilha do educador.   A experiência e o amadurecimento alcançados ao longo desse período, enquanto profissional em formação, foram de suma importância para a sequência do meu trabalho na sala de aula e para a carreira artística que escrevo em paralelo a ela. A cada vez que entro em sala, saio modificado, remodelado, reeducado por esses alunos repito – autistas, surdos, mudos, trabalhadores – Mestres da arte de ensinar professores!  Mestres no oficio de vencer as adversidades! (Ricardo Santana, relatório semestral do Pibid de 2013)

 

Dessa forma, percebemos que se o educando estiver curioso a respeito do conhecimento e plenamente envolvido na ação pedagógica, não haverá necessidade de pressões externas que interfiram em seus atos, uma vez que estarão direcionados ao objeto de conhecimento. Acho que vale a pena investir numa relação de afeto entre educador e educando, em uma verdadeira relação de troca, de diálogo. Quando falamos de afeto, segundo Wendell (2009, p.61), estamos fazendo referência primeiramente à noção de relação interpessoal, na qual vê-se o aprendizado da convivência baseada numa educação para o desenvolvimento humano, ainda conforme orientações de Dellors (2003).

Nesta relação e convívio com as outras pessoas, é preciso desenvolver “a capacidade de se colocar no lugar do outro”, respeitando suas diferenças, sabendo que “interagir é estar atento [...] saber falar, saber ouvir, ensinar falando, aprender ouvindo”, mantendo um compromisso com o coletivo (ANDRÉ; COSTA, 2004, P.78-79, apud Wendell, 2009, p.61).

 

 Por outro lado, os bolsistas que fazem a opção pelo Fundamental II, enfrentam dificuldades com salas muito numerosas, alunos impacientes e ruidosos presos em filas de carteiras tendo o olhar dirigido à nuca do colega sentado imediatamente à sua frente.

O desafio das aulas de Teatro é descontruir essa rotina, quebrar o paradigma de que aprende melhor quem está quieto, calado e imóvel. O Teatro vai estabelecer novos parâmetros, baseado em outros pressupostos teórico/práticos. O relato da bolsista pode ilustrar melhor esse desafio:

Houve sim dificuldades, mas fomos superando ao longo dos encontros. A minha turma foi maravilhosa. Sentia uma grande alegria, quando entrava em sala, pois os mesmos se posicionavam e já tiravam as cadeiras para podermos iniciar o trabalho. Foi um ano de produção, gostei e quero continuar nesse Programa, pois como já disse, é a base para o nosso desenvolvimento como docente.( Débora Santos, 2012/2013)

Se nem sempre é fácil conter a euforia natural dos jovens diante de situações novas, mas entendemos que essa característica pode ser usada como uma força promotora da aprendizagem. Durante o trabalho em nossas oficinas e salas de aulas com Teatro, raramente me defrontei com as atitudes de violência e desrespeito que acontecem constantemente em outras áreas, conforme relatos dos professores de minha escola.

O que importa, para muitas escolas, é conservar sua imagem, ou seja, não ter alunos perambulando pelo edifício escolar, mas sem se preocupar necessária e objetivamente com o conteúdo que o professor está lecionando. É “importante” não deixar alunos fora da sala de aula, pois estar fora da sala de aula é associado, principalmente, a termos como malandragem e falta de produtividade.

O sair da sala de aula pode ser, às vezes, mais produtivo do que ficar dentro dela, sendo mais importantes a postura do educador e as estratégias de mediação do conhecimento que se propõem em sua prática. Porém, a noção comumente aceita é de que espaços livres são perigosos e por isso têm de ser substituídos ou eliminados, cada vez mais rápido, diante da eterna expectativa de invasão do ambiente escolar. O perigo aqui remete a outras atividades para as quais os alunos se tornam disponíveis, ao ocuparem outros espaços da escola. Uma evidência dessas situações é a desorganização que se instala, quando há falta de professores, e os alunos ficam espalhados pelos corredores, sem uma atividade específica, o que ocorre com muita frequência nas escolas públicas.

É interessante observar que reforçamos essa estrutura escolar, à medida que executamos tarefas e controles arbitrários (ordens impostas, vigilâncias e castigos). Atitudes que silenciam os desejos éticos dos sujeitos envolvidos na aprendizagem, impedindo a circulação de saberes e, consequentemente, atrofiando mundos possíveis, que urgem por ser imaginados, desejados e experimentados, se direcionados a uma nova construção da relação ensino-aprendizagem. Esses controles reforçam concepções e práticas de saberes descontextualizados, como se pudéssemos ensinar sem fazer conexões com a vida, onde esses saberes são produzidos, ignorando os embates e conflitos que oficializaram a seleção de alguns saberes e a exclusão de outros. (SANTO, 2013, pg.29)

            Quando modificamos nossas práticas pedagógicas, alinhando-as aos princípios de busca pela Autonomia e Cidadania Consciente, os mesmos educandos que pareciam desinteressados, alienados e indisciplinados, nos premiam com atitudes coerentes com seu desenvolvimento cognitivo, físico e afetivo desejado como resultado das ações pedagógicas na escola. Assim, vejamos outro relato:

  Fizemos vários jogos teatrais e juntamente com o FIAC, levei-os ao Teatro de verdade. Assistimos duas apresentações de espetáculos, geradas através da mediação cultural que tem o objetivo de fazer essa ponte entre as escolas públicas e o ambiente de troca.  Vimos as encenações de  “O soldado de Solenildo” e “Bicicleta dançante” no Teatro do Solar Bela Vista. Ao final do espetáculo percebi que ainda existe um encantamento pela Arte, todos gostaram da experiência!( Débora Santos, relatório semestral  do bolsista, 2012/2013)

            Outros resultados podem ser analisados nos relatos contundentes de bolsista atuante, transcritos abaixo:

Utilizei também as memórias em torno do dia 31 de dezembro de 2012 para conhecer o a realidade social e familiar dos alunos. A partir de lembranças e relatos construímos juntos cenas e textos dramáticos. As cenas foram construídas paulatinamente a cada aula. Nos textos dramatúrgicos estiveram presentes as convenções básicas de um texto teatral, pois aulas sobre a estrutura do texto dramático já tinham sido aplicadas anteriormente. Para apropriação textual  usamos ainda as técnicas propostas pela autora Maria Lúcia Pupo em sua tese de Livre docência Palavras em Jogo: textos literários e teatro educação também foram utilizadas e adaptadas(...) A dramaturgia para mostra final foi construída paulatinamente e com a participação de todos. Foram produzidos textos escritos que foram encenados, textos cênicos que foram escritos, partituras corporais e vocais, construção de espaços cênicos e de personagens, e dessa forma foi elaborada coletivamente uma dramaturgia teatral.( Sabrina Bispo, relatório semestral, 2012/2013)

As atividades desenvolvidas pelos bosistas no Raphael Serravalle objetivaram suscitar reflexões referentes aos muros sociais, econômicos, educacionais e culturais que o sistema social impõe. Além de trazer para sala de aula a história do aluno como sujeito individual e coletivo. O planejamento elaborado objetivou dar continuidade a um trabalho que exaltasse a autoestima dos alunos, os tornassem cidadãos ativos nas suas próprias vidas e na sociedade.
 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ANDRÉ, Simone; COSTA, Antonio Carlos Gomes da. Educação para o desenvolvimento humano. São Paulo: Saraiva; Instituto Ayrton Senna, 2004.

COURTNEY, Richard. Jogo, teatro & pensamento.4.ed. São Paulo: Perspectiva: 2010.1980

DELORS, Jean. Educação: um tesouro a descobrir. 2ed. São Paulo: Cortez2ed. São Paulo: Cortez. Brasília, DF: MEC/UNESCO, 2003.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. 5. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985.

_______. Vigiar e Punir. Tradução de Ligia M. Pondé Vassallo. Petrópolis, RJ: Vozes, 1977.

FREIRE, Paulo. A pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e ousadia – O cotidiano do professor. Tradução de Adriana Lopez. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

RYNGAERT, Jean-Pierre. Introdução à análise do teatro. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

_______. Jogar, representar: práticas dramáticas e formação. Tradução de Cássia Raquel da Silveira. São Paulo: Cosac Naify, 2009.

SANTO, Regina H.Espirito. O empoderamento da voz do aluno através das oficinas de teatro do Colégio Serravalle: Jogos e Performances. Dissertação defendida no PPGAC da UFBA. 2013.

____________. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.

WENDELL, Ney. Cuida bem de mim: teatro, afeto e violência nas escolas. Ilhéus, BA: Editus, 2009.

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