BONECOS, CRIAÇÃO
E ARTE
Telma Maria Gualberto de Santana
Universidade Federal da Bahia
Linha Temática: Pôster – 04 – Linguística, Letras e
Artes.
Ao
adentrar a sala de aula de uma escola pública da rede municipal, localizada na
periferia de Salvador, com alunos do 4º ano, me deparei com a realidade vivida
pelos docentes da área de artes num geral. As dificuldades enfrentadas por
professores de teatro, por exemplo, chega a ser constrangedora. Não existe um
espaço e nem materiais apropriados para desenvolver as atividades, ou seja, não
existem recursos para tal. Isso sem contar na dispersão e no desinteresse dos
alunos, além da evasão escolar, o que acaba fazendo parte do cotidiano da vida
escolar e no desafio do professor de contornar essas situações, buscando
mudanças de paradigmas. A criatividade e o bom senso foram peças chaves para
tornar a aula atrativa dentro desse processo. Pensando numa atividade que proporcionasse a motivação do grupo, estimulando
cognitivo e trabalhando o foco do aluno, adotei como conteúdo as formas
animadas, a construção do boneco de jornal, dicas de Ana Maria Amaral no livro
Formas animadas e outras técnicas diferenciadas como a caixa de estímulos de
Beatriz Cabral, os jogos do Fichário de Viola Spolin, e mais algumas
brincadeiras que extrai do meu diário de bordo, enfim, tudo que fizesse uma ligação com a proposta e
viesse a acrescentar um melhor formato a fim de alcançar o objetivo final, o
que facilitava ater a concentração, trazendo ludicidade, plasticidade, beleza e
economia através de uma proposta que despertasse o interesse dos alunos fazendo-os
interagir ao utilizarem o jornal velho como material didático pela facilidade
de aquisição e pela maleabilidade, permitindo construir além de cenários,
figurinos adereços e ainda podendo ser utilizado como objeto chave tornando possível
a realização da coreografia. O resultado notado ao final de cada aula era a
vontade de continuar o que gerava uma grande expectativa na espera pelo próximo
encontro. Tudo acontecia por etapas. No primeiro momento aplicamos exercícios
baseado na mímica corporal e dramática (técnica criada pelo francês Etiene Decroux), permitindo que os alunos trabalhem as articulações
em partes separadas do corpo (cabeça, pescoço, busto, abdômen, troncos e membros inferiores e superiores), buscando
com isso o autoconhecimento corporal. A partir daí, começamos a confeccionar os
bonecos, construindo pernas, braços, troncos e cabeças e encaixamos as partes,
formando-o integralmente, atentos às dobradiças que facilitaria a manipulação, facilitando
ações e gestos que se aproximem dos seres humanos.
Após
adquirir esse conhecimento, desenvolvi atividades em grupo para que houvesse
interação grupal, aplicando métodos em que os alunos, pudessem finalmente
estabelecer uma relação dialógica com os colegas através dos jogos e exercícios
direcionados a essa finalidade. Fui extraindo experiências trazidas nas
improvisações, resultados interessantes, atividades com dinâmicas diferenciadas
e assim realizamos uma mostra didática com á colaboração da turma que a essa
altura já havia despertado para interesses artísticos, assumindo funções
diferenciadas dentro do espetáculo.
Palavras-chaves:
Aluno; estimulo; boneco.
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