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domingo, 28 de julho de 2013

APRESENTADO NO IAT 2013

RELATO DE UMA EXPERIENCIA:



Ao adentrar a sala de aula de uma escola pública da rede municipal, localizada na periferia de Salvador, com alunos do 4º ano do ensino fundamental 1 , me deparei com a realidade vivida pelos docentes da área de artes num geral.
 As dificuldades enfrentadas por professores de teatro, por exemplo, chega a ser constrangedora. Não existe um espaço e nem materiais apropriado para desenvolver as atividades, ou seja, não existem recursos para tal. O tempo vem a ser outro agravante nesse processo. Uma aula tem a duração de 50 minutos, dentro desse tempo 15 minutos é destinado  a receber, acomodar os alunos, arrumar as cadeiras ao redor da sala, tornando-a espaçosa e propicia para as atividades, restando apenas 30 a 35 minutos. Isso sem contar na dispersão e no desinteresse dos alunos, além da evasão escolar, o que acaba fazendo parte do cotidiano da vida escolar e no desafio do professor de contornar essas situações, buscando mudanças de paradigmas.
A criatividade e o bom senso, são peças chaves para tornar a aula atrativa dentro desse processo.  Pensando numa atividade que proporcionasse a motivação do grupo, estimulando o cognitivo e trabalhando o foco do aluno, adotei como conteúdo as formas animadas, a construção do boneco de jornal, dicas de Ana Maria Amaral no livro Formas animadas. Também adotei outras técnicas diferenciadas durante o processo, tais como: a caixa de estímulos de Beatriz Cabral, aplicado de forma que todos interagissem. Preparei uma caixa enorme com vários objetos e enrolei num papel de presente. Em um determinado momento da aula, convidei todos a prestar atenção, pois abriria ali na presença deles aquela encomenda que deixaram na portaria e pediram que me fosse entregue. Então abri, mostrei o conteúdo e propus que cada um pegasse um objeto e fazendo de conta que fosse deles próprios me contasse uma história dessa relação. Resultados positivos num geral.   Usei também os jogos do Fichário de Viola Spolin, e mais algumas brincadeiras que extrai do meu diário de bordo, enfim, tudo que fizesse uma ligação com a proposta e viesse a acrescentar um melhor formato, tornando assim a aula mais atrativa, a fim de alcançar o objetivo final, o que facilitaria ater a concentração, trazendo ludicidade, plasticidade, beleza e economia através de uma proposta que despertasse o interesse dos alunos fazendo-os interagir ao utilizarem o jornal velho como material didático pela facilidade de aquisição e pela maleabilidade, permitindo construir além de cenários, figurinos adereços e ainda podendo ser utilizado como objeto chave tornando possível até a realização da coreografia.
 O resultado notado ao final de cada aula era a vontade de continuar o que gerava uma grande expectativa na espera pelo próximo encontro. Tudo acontecia por etapas. No primeiro momento aplicamos exercícios baseado na mímica corporal e dramática (técnica criada pelo francês Etiene  Decroux),  permitindo que os alunos trabalhassem  as articulações em partes separadas do corpo: (cabeça, pescoço, busto, abdômen,  troncos e membros inferiores e superiores), buscando com isso o autoconhecimento corporal. Estudando também princípios da anatomia humana numa investida interdisciplinar necessária e  ao mesmo tempo trazendo coerência interna a cena.  A partir daí, começamos a confeccionar os bonecos, usando o jornal em formato de canudo construindo com esse material: Pernas, braços, troncos e cabeças, assim ao encaixar as partes formaram o corpo, integralmente atentos às dobradiças, o que facilitaria a manipulação, facilitando também ações e gestos que se aproximassem das ações dos seres humanos. Após finalizar essa etapa, desenvolvi atividades para que houvesse interação grupal, aplicando métodos em que os alunos, pudessem finalmente estabelecer uma relação dialógica com os colegas através do objeto animado, usando jogos e exercícios direcionados a essa finalidade, além de textos e vídeos usados como pretextos para enriquecer as atividades.  Foi um momento muito rico. A classe foi dividida em equipes e a tarefa era criar cenas sobre o índio e a natureza.  Os resultados foram surpreendentes. Os grupos apresentaram improvisações diversificadas, dentro do contexto, variando dos mais tímidos aos mais desinibidos. O boneco é um objeto que não tem um público especifico. Ele encanta a todos.
 Dessa etapa, surgiu a aula dramatizada que foi apresentada para todos os alunos do turno matutino, professores, funcionários e posteriormente para o grupo PIBID TEATRO.
Partimos para o segundo semestre vivendo novas experiências e novos processos inclusive externos.  Um grupo de bolsistas do PIBID TEATRO teve a oportunidade de participar da mediação cultural no FIAC (Festival Internacional de Artes Cênicas). Desenvolvemos algumas atividades com foco no nosso contexto da pesquisa que é a recepção e aplicamos com os nossos alunos. Estes foram convidados a em determinado momento conhecer um teatro e suas funcionalidades e em outro momento a assistir espetáculos onde tiveram toda comodidade, me referindo á assistência do transporte ao lanche e um retorno do espetáculo através de um bate papo após a finalização da peça. Atividades como essas são de extrema importância para o desenvolvimento cognitivo e social do aluno. O objetivo do curso é de que o espectador conheça o espaço onde acontece o espetáculo, conheça seus signos, desvende os mistérios e não perca a fantasia. Além de enriquecer a disciplina do Teatro na Educação.
Chegamos ao final, à mostra didática seria em um espaço dividido por todas as turmas do PIBID na escola, e cada grupo teria o tempo de vinte minutos no máximo. Então fui extraindo experiências trazidas das improvisações, resultados interessantes, atividades com dinâmicas diferenciadas e assim realizamos uma mostra com á colaboração da turma. Resolvi fazer uma leitura dramática usando o boneco em diversos momentos, alternando entre a leitura do texto e algumas instalações.  Usei um texto de minha autoria  com o tema ”Faz de conta” onde através do sonho trabalharia dois universos diferentes. Abordei assuntos como a relação da lua com o mar, tarefas familiares, respeito às diferenças, obediência, hierarquia e contos mitológicos e outros.  Houve uma grande mobilização dos alunos para participar dos ensaios, inclusive em horários alternados. O resultado final foi muito bom e esteticamente bonito. Ressalto a importância de trabalhar com o boneco que nessa experiência fortaleceu o vinculo entre professor-aluno, aluno-aluno e aluno-boneco e permitiu também trabalhar i interdisciplinaridade em diversos ângulos, do material reutilizado contribuindo para a limpeza do meio ambiente, a relação com a aula de história trazendo o tema que seria abordado na primeira mostra: “O universo indígena”, o estudo do corpo humano para confeccionar o boneco.


Palavras-chaves: Aluno; estimulo; boneco.


Referencias:

CABRAL, Beatriz Ângela Vieira.  O drama como método de ensino. Edições Mandacaru. Editora Hucitec São Paulo 2006
PARENTE, José. O Papel do Ator no Teatro de Animação in: O Ator no Teatro de Formas Animadas. Revista MÓIN-MÓIN Revista de Estudos sabre Teatro de Formas Animadas. Jaraguá do Sul: SCAR/UDESC, ano 1, nº 1.Pp 105-117, 2005
AMARAL, Ana Maria. Teatro de Bonecos no Bra­sil. São Paulo: COM ART, 1994.
SPOLIN, Viola.  Improvisação para o teatro. São Paulo: Perspectiva, 2010
SPOLIN, Viola. Jogos Teatrais: O fichário de Viola Spolin:  São Paulo: Perspectiva 2012





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