Fichamento do Livro: A PEDAGOGIA DO ESPECTADOR
* Flávio Desgranges
* Flávio Desgranges
“[...]” No inicio dos anos 1970, indica Rosenfeld, ao comentar os
motivos apontados, então, por empresários e artistas para a falta de públicos
nas salas, a concorrência da televisão merecia grande destaque, pois o teatro
perdia não só espectadores, mas também atores que, seduzidos pela vantagem
econômica por ela oferecida, não mais se interessavam pelas produções teatrais.
[...]. (pág.20)
“E
se a arte teatral deixou de oferecer riscos, é porque deixou de se colocar em
risco, o teatro propõe à platéia aquilo que se espera dele, que o espectador
seja o modelo do cidadão ideal, aquele que apenas aguarda a cena seguinte. O
dito teatro de arte não é mais um movimento de guerra e, sim, de resistência,
tal a indiferença a que foi relegado”. (Pág.23)
“[...]. O prazer advém da experiência, o gosto pela fruição
artística precisa ser estimulado, provocado, vivenciado, o que não se resume a
uma questão de marketing.”. (pág. 29).
“Público
participativo é aquele que, durante o ato da representação, exige que cada
instante do espetáculo não seja gratuito, o que não significa que seja
necessário, portanto, manifestar-se ou intervir diretamente para participar do
evento. [...].”. (pág. 31).
“Tornar o espectador iniciante mais
íntimo da arte teatral e estimulá-lo para um mergulho divertido amplia sua
capacidade de apreender o espetáculo e favorece sua socialização, seu acesso ao
debate contemporâneo, sua integração e participação sociais”. (Pág.36).
[...]. A arte do espectador é um saber que conquista com
trabalho. (pág. 32).
“Ao pensar a pedagogia do espectador,
portanto, não se pode desprezar o anseio, o hábito, a expectativa que
condiciona o indivíduo espectador de nosso tempo em sua relação com os variados
meios comunicacionais; meios esses que detêm a hegemonia dos procedimentos
estéticos espetaculares e da produção de sentidos”. (Pág.41).
“Desde os anos de 1960 até meados de 1970, artistas e
educadores, movidos pela ideia de democratização cultural, estruturam variadas
práticas destinadas à ampliação social e geográfica do público de teatro,
[...].”. (pág. 45).
“[...]. Um teatro que propõe ao expectador que rearrume os
pedaços, fazendo suas escolhas, e monte o jogo de peças em função de suas
posições criticas estimulando-o, assim, a produzir conhecimentos. [...].”.
(pág. 168).
“A conquista da linguagem teatral pelo espectador implica o
desenvolvimento de um senso estético e um olhar-crítico – olhar armado, exigente,
atento à quantidade do espetáculo, que reflete sobre os fatos apresentados e não
se contenta em ser apenas o receptáculo de um discurso monológico, que impõe um
silêncio do passivo. [...].” (pág. 172).
Comentário:
A
concorrência da televisão foi um grande fator que de algum modo foi se
desvinculando e fazendo-se o desinteresse da sociedade em ir a uma peça
teatral, pois na televisão podia-se experimentar o um pouco daquele “mundo”.
O fazer
teatral tornou-se um lema de resistência.
Quando
assistimos á uma peça, movemos tudo ao nosso redor, pois mexe conosco, pois o
teatro tem o poder de provocar, mas é importante que esses sentidos não sejam
comprados, deve ser natural.
Para a
construção de uma pedagogia é importante fornecer instrumentos preciosos para
um aprofundamento da construção, visando também a estética.
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