Fichamento Redefinições
nos estudos de recepção/relação teatral (fichamento)
(Clovis Massa)
O vocabulário recepção, fortemente marcado pela teoria da
informação, parece contradizer a atividade produtiva do espectador, a concepção
de que, em seu processo de apreensão, ele não apenas “recebe” , mas é
corresponsável pelos sentidos da obra. (p.1, l. 12 a 17)
Em busca de legitimação, as teorias de recepção teatral
esforçaram-se em explicar seu viés de oposição as práticas vigentes, porém
nunca corrigiram essa inadequação. Nem se afirmaram como instancia pragmática,
com a finalidade de interagir diretamente na atividade receptiva, através do
impacto que a reflexão (...) (p.1, l22 a 28)
(...) poderia propiciar a prática com a instauração de novos
paradigmas cênicos como a teoria da
recepção de Hans Robert Jauss pretendeu que, com o tempo, a história da
literatura interferisse na experiência
estética do leitor. ( P.1, l. 29 a 33)
Em busca de uma teoria especifica da recepção teatral, outra
mudança de rumo se tornou urgente: ainda distante das investigações empíricas sobre
espectadores vislumbrarem conclusões relevantes as particularidades da arte teatral exigiram outro objeto de
análise, desta vez concebido desta vez concebido a partir da estética da
produção e da recepção. Em decorrência disso passou a delimitar-se pela relação
entre o ator e o espectador , uma das varias relações teatrais compreendidas
dentro do processo produtivo-receptivo. (p.1, l. 45 a 55)
Para esclarecer desse ponto de vista, cabe distinguir os
estudos de recepção de dois tipos: um diretamente vinculado a estética da
recepção com a intenção de examinar a acolhida decertas obras por um grupo num
determinado período; outro mais desenvolvido pela semiòtica teatral, destinados
a investigar os processos mentais, intelectuais e emotivos do espectador. (p.
2, l. 22 a 39)
(...) Pelo viés da estética da produção e da recepção
teatral, Patrice Pavis vinculou o circuito de concretização a dinâmica cultural
em que o trabalho do espectador se realiza, ou seja, ao seu contexto social.
Para tanto propôs a ideia de meta-texto, ou seja, o conjunto de textos
conhecidos pelo espectador ou pelo
encenador e utilizados por ambos para a leitura de textos.(...) (p. 3, l. 60 a
68)
(...) “Mas do que um texto (cênico) junto ao texto
dramático, ´meta-texto é o que organiza, desde o interior, a concretização
cênica, o que não esta junto ao texto dramático, mas de alguma forma em seu
interior, como resultante do circuito entre significante, contexto social e
significado do texto “ ( p.3, l. 78 a 85)
Sua aproximação da relação teatral fundamenta-se em torno de círculos
concêntricos, níveis que procuram cerca-la mais de perto: recepção, leitura, hermenêutica, e enfim, perspectiva. (p.4, l. 4 a 7)
O segundo tipo de pesquisa sobre recepção teatral, a que
investiga os processos mentais, intelectuais e emotivos do espectador, procura
analisar as operações do espectador a
partir de uma base coerente de dados experimentais. (p.4, l. 37 a 41)
Curiosamente psicologia
cognitiva a que recorre enfatiza o papel individual do espectador e
parece contradizer os parâmetros defendidos por ele mesmo a respeito da relação
teatral. (p.4, l. 84 a 88)
Será necessário definir o objeto estético da experiência
estética pelo objeto estético. E nesse círculo que juntaremos todo problema da
relação objeto-sujeito. 9 Dufreunne, 1967, p.4) (p.5,l. 7 a 11)
Como a experiência da recepção é individual, mas a relação
cena/sala em que se produz tal experiência é de caráter coletivo, Miguel
Santagada acredita que seja possível” investigar os conteúdos da experiência
em termos de uma concretização
solicitada a vários espectadores de um mesmo espetáculo. E que, em razão de certas influencias comuns,
dois ou mais espectadores, coincidam aproximadamente na descrição que
fazem_ a instancias da investigação_ do
mesmo espetáculo” (Santagada, 2004, p.27) (p.5, l. 22 a 33)
Os estudos teatrais somente teem a ganhar com essa atitude.
A abordagem receptiva fez a sua parte quando rompeu com a sua s sujeição ás antinomias e começou a
considerar a interação com a produção como parte essencial, o que libertou seu
estudos da excessiva limitação a um gueto epistemológico. E continua fazendo,
com a visão de um espetáculo afetado pelas dinâmicas culturais que subentende a experiência do espectador em sua dimensão
coletiva. (p.6, l. 30 a 40)
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