Disposição
palco/plateia ao longo da história: Lugar e papel do espectador – Cláudio
Cajaíba
“As mudanças arquitetônicas dos espaços
destinados às encenações teatrais [...] continuam se desenvolvendo e se
modificando até hoje.” (p.178).
“[...] um dos primeiros teatro gregos
[...] já continha palco, proscênio, rampas, corredores de acesso, orquestra e
fundo de cena.” (p.178).
“Em locais estrategicamente construídos,
que possibilitava ao espectador escutar cada palavra, mesmo que sussurrada, em
qualquer lugar onde se encontrasse.” (p.178 e 179).
“Concedido de forma circular na Grécia,
onde a plateia ocupava três terços deste círculo, as construções dos teatros
romanos reduziram a plateia a um semicírculo.” (p.179).
“As encenações nas praças e mercados [...]
retomaram a disposição circular em torno da cena, característica do teatro
grego. Mas desta vez o público estava aproximado e unificado pela fé, e se
deslocava com as figuras divinas, sagradas para diferentes espaços a eles
destinados.” (p.180).
“Uma ilustração da biblioteca de
arsenais em Paris, datada do início do século XV, descreve uma disposição
circular, porém diferente do modelo grego: em um púlpito coberto, Calliopius
(espécie de ator da época) lia textos dramáticos.” (p.181).
“Do século XVI, em Cambraia, na Itália,
há uma ilustração que mostra um primitivo palco itinerante armado ao ar livre,
que continha tochas em cada um dos cantos frontais para sugerir as cenas
noturnas, mesmo sabendo-se que a representação só ocorria à luz do dia.” (p.181).
“Em Paris, 1581, o palco construído para
a representação do Ballet Comique de la Rique [...] foi concebido de forma
retangular [...] O meio da “sala” era destinado ao palco/carroça e aos
dançarinos, enquanto o cenário era erguido em um do lados, de forma cúbica e
ricamente ornamentado em perspectiva.” (p.182)
“Também com lugares especiais destinados
à nobreza, o público comum era mantido a certa distância.” (p.183).
“Os teatros londrinos que abrigavam as
encenações de Shakespeare e de seus contemporâneos [...] seguiu a tendência já
estruturada pelos palcos do Castelo da Moralidade, mas substituiu a forma
circular pela forma octogonal.” (p.183).
“[...] o “palco italiano”, como é
conhecido hoje, não tardaria a aparecer: Sua estrutura já vinha se esboçando
através da disposição de confrontação, mas só se consolida na era barroca.”
(p.184).
“[...] separação hierárquica, a
participação do público na representação da vida dos heróis, da nobreza
representada nas tragédias e comédias, passou a ser praticamente regida pelos
nobres presentes e bem acomodados em seus privilegiados camarotes.” (p.184 e
185).
“Se o rei risse em alto e bom tom de
alguma ação mostrada em cena, o público estava autorizado, ou talvez até
“obrigado” a fazê-lo também. Caso contrário se poderia incorrer em gafes e
ferir certos princípios [...] Rir de algo que o rei não achava engraçado
poderia trazer más consequências.” (p.185).
O autor fala da contribuição de vários
teatrólogos que criaram projetos para construções das estruturas de teatros ao
longo da história
“Muitos destes projetos, contudo, não
foram concretizados por falta de recursos.” (p.188).
“Os movimentos políticos que dominaram a
Europa antes da Segunda Guerra, sejam eles fascistas ou stalinistas,
interromperam os experimentos dos vários artistas dos movimentos de vanguarda.”
(p.188).
“Os experimentos outrora recebidos com
estranhamento e curiosidade pelo público iam se tornando comuns e ganhando
aceitação. Dessa forma, o espectador contemporâneo herdou uma gama de
possibilidades que o permite permanecer em seu estado “letárgico”.” (p.188 e
189).
“Hoje são inumeráveis os locais onde se
apresentam as diferentes encenações e consequentemente, os diferentes modos de
recepção: na rua, em circos, fachadas [...] num bar, hospitais, ou seja, não
existe de antemão um lugar onde o teatro não possa ser encenado.” (p.189).
“A relação espetáculo/espectador no
teatro segue sempre recheada de inovações. E assim como reflete os
acontecimentos mais remotos, deixa-se também seduzir pelas demandas da
contemporaneidade.” (p.189).
COMENTÁRIO:
O texto fala da relação do palco/plateia
ao longo dos anos. As diferenças e modificações que foram surgindo ao decorrer
do tempo em todo mundo. Ele cita o teatro londrino, francês, italiano, inglês,
grego, romano. Bem como diversos autores e teóricos teatrais e suas
contribuições para as mudanças teatrais. Além de fazer uma comparação com o
espectador contemporâneo que assiste a apresentação em diferentes locais de
acordo com a estética utilizada, como, por exemplo, bares, hospitais, praias,
quartos, entre outras infinitas possibilidades de criação e apresentação. E, a
partir dos diferentes locais de apresentação, surgem também as diferentes
formas de recepção.
Nenhum comentário:
Postar um comentário