Fichamento do texto: NOTAS
SOBRE A EXPERIÊNCIA E O SABER DE EXPERIÊNCIA
Jorge Bondía
“[...]
a experiência é, em espanhol, “o que nos passa”“. Em português se diria que a
experiência é “o que nos acontece”; em francês a experiência seria “ce que
nousarrive”; em italiano, “quelloche nos succede” ou “quelloche nos accade”; em
inglês, “thatwhatis happening tous”; em alemão, “wasmirpassiert.”. (pág. 21).
“[...]. A informação
não é experiência. [...] experiência é que é necessário separá-la da
informação. [...] o saber de experiência é que é necessário separá-lo de saber
coisas, tal como se sabe quando se tem informação sobre as coisas, quando se
está informado. É a língua mesma que nos dá essa possibilidade.”. (pág.21-22).
[...]. Em nossa arrogância, passamos
a vida opinando sobre qualquer coisa sobre que nos sentimos informados. [...]
(pág. 22).
“[...], a
experiência é cada vez mais rara, por falta de tempo”. [...]. A velocidade com
que nos são dados os acontecimentos e a obsessão pela novidade, pelo novo, que
caracteriza o mundo moderno, impede conexão significativa entre acontecimentos.
(pág.22).
“[...]. O sujeito
moderno se relaciona com o acontecimento do ponto de vista da ação. Tudo é
pretexto para sua atividade. [...]. Nós somos sujeitos ultra-informados,
transbordantes de opiniões e super estimulado, mas também sujeitos cheios de
vontade e hiperativos. [...].” (pág. 24).
Em contrapartida, a
“vida” se reduz à sua dimensão biológica, à satisfação das necessidades [...],
à sobrevivência dos indivíduos e da sociedade. “Pense-se no que significa para
nós “qualidade de vida” ou “nível de vida”: nada mais que a posse de uma série
de cacarecos para uso e desfrute.”. (pág.27).
[...]. Se o
experimento é repetível, a experiência é irrepetível, sempre há algo como
aprimeira vez. Se o experimento é preditível e previsível, a experiência tem
sempre uma dimensão de incerteza que não pode ser reduzida. Além disso, posto
que não se possa antecipar o resultado, a experiência não é o caminho até um
objetivo previsto, até uma meta que se conhece de ante mão, mas é uma abertura
para o desconhecido, para o que não se pode antecipar nem “pré-ver” nem
“pré-dizer”.”. (pág. 28).
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