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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Reuniao - 04.07.2012 - Filme: Pro dia nascer feliz


Pro dia nascer feliz é um documentário dirigido por João Jardim, que trata do sistema de educação no Brasil, traçando um caminho descritivo por algumas escolas, não é tão surpreendente defrontar-se com as marcas das diferenças socioeconômicas: sejam as esboçadas pela estrutura física, pelo ensino, pelo professor ou pelo aluno. Mas impressionante, é perceber as diversas formas de violência presentes em cada segmento apresentado. Da criminalidade à violência gratuita, as respostas à Educação gritam de um modo assustador. A trajetória do filme se inicia em Pernambuco, numa cidadezinha onde não há sequer uma escola. Os alunos, nesse caso, contam com um ônibus para levá-los a outra cidade, E, nessa realidade apresentada, surge a menina Valéria, de 16 anos, um exemplo marcante. Sua história é capaz de fascinar qualquer pessoa que assista, pois – sob um olhar poético e esperançoso diante da vida – a menina mostra uma forma vigorosa de remar contra a maré das condições de sua escola. Ônibus que se quebra, professores que faltam, professores que não percebem sua sensibilidade e até duvidam dos textos que a mesma escreve. Em seguida, no Rio de Janeiro, o foco se dirige para uma escola pública. Na entrevista, os meninos afirmam roubar por ódio ou, simplesmente, por falta do que fazer. Dentre eles, um aluno se destaca por sua inteligência e sua esperteza entre o estudo e a criminalidade. Já os professores, reunidos para o conselho de classe, mostram sua preocupação com esse aluno, mas não sabem de que forma agir. Nos momentos em sala de aula, é possível notar que, apesar de ser um menino cativante, também desperta certa fúria nos professores. A escola apresenta problemas que começam pelas faltas numerosas dos professores e pelo forte desinteresse dos alunos. Nesse quadro, atenta-se para personagens que merecem certo destaque.

A entrevista com os adolescentes denuncia casos de depressão, de crises existenciais e até de violência nesse ambiente escolar. A reação mais normal de quem assiste a essa parte do filme é a de indignação diante das angústias expostas pelas alunas. Mas a principal proposta deste documentário não é somente relatar as fortes diferenças existentes entre as escolas do país. O fundamental é demonstrar que o sistema educacional brasileiro é muito falho. E, dessa forma, é possível constatar que cada realidade registrada enfrenta problemas gerados por ela mesma. O foco do filme é dado ao ensino de adolescentes. é o momento em que o indivíduo forma sua identidade, a partir de seus valores e de suas crenças. É quando ele – ao levantar questões relacionadas à sua origem, à sua identidade e ao seu futuro – não encontra com facilidade, evidentemente, as desejáveis respostas. Como se vê em “Pro dia nascer feliz”, o sistema educacional brasileiro, em vez de cumprir seu papel de articulador entre o jovem e o meio social, provoca o inverso.  Como resultado final, o que se pode ressaltar é a violência. Os jovens do Rio de Janeiro tendenciosos à criminalidade; a menina de São Paulo que narra com orgulho um assassinato cometido por ela; o desrespeito dos alunos, de todas as escolas apresentadas, com o professor; o desrespeito dos professores com os alunos. Ela está estampada a todo o momento.  O professor, neste país, ainda acredita que possui apenas duas opções: aceitar a reação dos alunos ou fugir – através de inúmeras faltas – se a instituição lhe permitir.

“Pro dia nascer feliz” cumpre o papel de reproduzir as realidades da Educação brasileira. Coloca, em foco, as diferenças regionais e de classe, as semelhanças, os extremos e as exceções. Cabe a todo telespectador reconhecer seu papel de cidadão e documentar na sociedade o foco que lhe convém: seja promovendo o diferente, o semelhante, o extremo ou a exceção.

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