A entrevista com os adolescentes
denuncia casos de depressão, de crises existenciais e até de violência nesse
ambiente escolar. A reação mais normal de quem assiste a essa parte do filme é
a de indignação diante das angústias expostas pelas alunas. Mas a principal
proposta deste documentário não é somente relatar as fortes diferenças
existentes entre as escolas do país. O fundamental é demonstrar que o sistema
educacional brasileiro é muito falho. E, dessa forma, é possível constatar que
cada realidade registrada enfrenta problemas gerados por ela mesma. O foco do
filme é dado ao ensino de adolescentes. é o momento em que o indivíduo forma
sua identidade, a partir de seus valores e de suas crenças. É quando ele – ao
levantar questões relacionadas à sua origem, à sua identidade e ao seu futuro –
não encontra com facilidade, evidentemente, as desejáveis respostas. Como se vê
em “Pro dia nascer feliz”, o sistema educacional brasileiro, em vez de cumprir
seu papel de articulador entre o jovem e o meio social, provoca o inverso. Como resultado final, o que se pode ressaltar
é a violência. Os jovens do Rio de Janeiro tendenciosos à criminalidade; a
menina de São Paulo que narra com orgulho um assassinato cometido por ela; o
desrespeito dos alunos, de todas as escolas apresentadas, com o professor; o
desrespeito dos professores com os alunos. Ela está estampada a todo o momento. O professor, neste país, ainda acredita que
possui apenas duas opções: aceitar a reação dos alunos ou fugir – através de
inúmeras faltas – se a instituição lhe permitir.
“Pro dia nascer feliz” cumpre o
papel de reproduzir as realidades da Educação brasileira. Coloca, em foco, as
diferenças regionais e de classe, as semelhanças, os extremos e as exceções.
Cabe a todo telespectador reconhecer seu papel de cidadão e documentar na
sociedade o foco que lhe convém: seja promovendo o diferente, o semelhante, o
extremo ou a exceção.
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