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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fichamento do artigo
Atmosfera e recepção numa experiência com teatro na Alemanha
Autor: Cláudio Cajaíba

“A ‘metáfora cênica’ referida por Mendes – pode-se argumentar – tem sido a maior responsável pelo transito de textos dramáticos pelo mundo.”

“Benjamin ‘propõe uma noção de natureza como pano de fundo na relação com a aura, mas que também se baseia numa definição do observador’”.

“Para que as coisas e o teatro deixem de ser vistas por pessoas razoáveis é preciso que o discurso sobre eles também deixe de ser ‘razoável’. É preciso que a recepção seja vista como livre das amarras impostas pelo romantismo, que pressupõe o artista genial e o receptor ignaro”.

“A cada dia, as diferentes atmosferas iam se sucedendo, sendo vivenciadas a cada drama/ espetáculo/peformance, enfim, a cada evento apresentado”.

“A experiência com O oráculo de Martha pubin foi a mais inusitada e provocante entre as experiências e ofereceu um excelente contraponto para a discussão atual do papel do expectador na cena contemporânea”.

“A atmosfera proposta pelo dramaturgo, assimilada de forma contundente pelo encenador no programa do espetáculo: ‘Perceba simplesmente que tipo de ação política, emocional ou filosófica a peça exerce sobre você. A peça significa para cada expectador uma coisa diferente’.”.

“Böhme lembra que, também nestes casos, se descreve atmosfera com um sentido impreciso e difuso. Só que desta vez a atmosfera não é descrita numa relação imprecisa ao que ela se relaciona, ao que ela corresponde, ou seja, ao caráter próprio desta atmosfera.”

“As atmosferas ali vivenciadas, como propõe, Böhme, me confrontaram com aspectos distintos da capacidade humana, através de uma arte que teima em se repetir, repetir, até ficar diferente”.

“Quero ressaltar, por fim, que o desencadeamento destas constatações não são privilégio do teatro alemão ou do teatro ali exibido, como em algum momento possa ter parecido.”

Comentário:

Atmosfera pode-se dizer que é a maneira que o espectador sente a obra. O que essa obra causa. A atmosfera do espetáculo é que faz com que o espectador se envolva com a obra e possa se identificar com o que se vê. Cada espetáculo que se apresenta instala uma atmosfera nova, diferente da anterior, por mais que elas se pareçam, podem causar diferentes sensações. É inclusive essa atmosfera que pode fazer com que o espectador compreenda a obra. A aura ficou um pouco difícil para comentar, por que não é palpável, e é realmente difícil de dizer como ela aparece num espetáculo. Ouvindo discussões percebi que a aura é o que se instala sem que se perceba. É o que vem junto com a atmosfera. É o sentimento em relação à obra. A atmosfera se instala o espectador a percebe e surge a aura,o sentimento, a compreensão do que se vê. Em alguns momentos confundo Aura com Atmosfera, e por vezes acho que no fundo são a mesma coisa.

Fichamento do artigo
Disposição palco/platéia ao longo da história: lugar e papel do espectador.
Autor: Cláudio Cajaíba

“As mudanças arquitetônicas dos espaços destinados às encenações teatrais, especialmente no que se refere aos palcos e ás platéias, que tiveram início com as encenações de tragédias e comedias gregas continuam se desenvolvendo e se modificando até hoje.”

“Mas o período renascentista não experimentaria apenas este tipo de construção [frontal], que poderia ser considerada ‘ingênua’, principalmente se comparada à estrutura grega/romana de disposição palco/platéia.”

“ A busca pelo paraíso perdido, pela remissão dos pecados, a ameaça de queimar no inferno, entre outras rezões, unificavam público e platéia através da fé e do medo.”

“Concebido de forma circular na Grécia, onde a platéia ocupava três terços deste círculo, as construções dos teatros romanos reduziram a platéia a um semicírculo.”

“O projeto de Serlio, datado de 1545, também mostra um palco em dois níveis com a parte frontal plana e a de trás inclinada, cenários de fundo pintados em perspectiva, e entre palco e a orchestra(onde situavam os lugares de honra e não mais os músicos como outrora), um proscênio que deveria permanecer livre para manter a distância entre mundo rela e o mundo representado.”

“Os palcos ingleses eram divididos em céu, terra e inferno, localizados em diferentes níveis espaciais e em diferentes galerias. Igualmente complexa era a distinção das diferentes galerias na platéia, obedecendo a certa hierarquia, com lugares específicos para jovens, mulheres, intelectuais, etc.”

“Para o imperador, entusiasta do teatro, ao invés do camarote comumente construído ao lado do proscênio, ergue-se um pódio elevado na primeira fila, que por sua vez estava localizado mais próximo ao palco, encurtando assim a distância física entre palco/platéia.”

“As transformações promovidas pelo teatro romano já vinham carregadas de aproximações da relação palco/platéia e já denunciavam o grau de sedução e provocação que um exercia sobre o outro e vice-versa.”

“Mas o ‘palco italiano’, como hoje é conhecido não tardaria a aparecer: Sua estrutura já vinha se esboçando através da disposição da confrontação, mas só se consolida na era barroca.”

“Além disso, a construção de teatros com menor capacidade de público imprime uma atmosfera mais intimista e, em alguns teatros particularmente, se restabelece a proximidade entre palco e platéia, outrora praticada, como nesta visão de um teatro espanhol, da metade do século XVIII.”

“Os movimentos políticos que dominaram a Europa antes da segunda guerra, sejam eles fascistas ou stalinistas, interromperam os experimentos dos vários artistas dos movimentos de vanguarda. Porém, na retomada da investigação interrompida pela segunda guerra, se pode identificar ainda a influência destes movimentos.”

Comentário:

O texto aborda os diferentes espaços no teatro. As mudanças pelas quais o teatro já passou principalmente se tratando dos lugares que a platéia ocupava e da maneira que estava disposto o palco. Essas mudanças se davam também de acordo com as regras de um país por exemplo. Em determinados lugares a platéia composta por plebeus não poderia demonstrar o sentimento em relação a obra, somente se poderia demonstrar essas emoções de acordo com os nobres. Se eles rissem, o riso de todos era permitido, se não, não podia demonstrar nenhuma reação em relação à cena. Depois, estudiosos perceberam que dependendo da disposição da platéia, essa poderia se sentir mais dentro do espetáculo, mais participativa, podendo assim expressar o que sentia de maneira mais clara. Hoje em dia, os encenadores se preocupam com isso, pensam o espetáculo de maneira completa, pensando também em como a platéia vai estar disposta para ver a obra. E até mesmo num palco italiano, onde já se espera uma estética pronta, existem encenadores que mudam, e colocam toda a platéia para sentarem no palco, por exemplo, transformando a estrutura do espetáculo.

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